A última vez que tivemos cá um tablet ROG Flow Z13 foi em 2023, nessa altura a Inteligência Artificial ainda não tinha a importância que tem hoje e o hardware que lá vinha dentro era composto por um CPU Intel e uma gráfica Nvidia 4070 Laptop Edition. Dois anos mais tarde, a o ROG Flow abandonou a Intel e agora vem com um AMD Ryzen AI Max+ 395 que combina GPU e CPU num único componente e que também inclui um NPU para ajudar nas tarefas de IA.
Isto dá-lhe uma versatilidade que o modelo anterior não tinha, mas também coloca alguns desafios, principalmente no que respeita ao desempenho em gráficos, como por exemplo a partilha da RAM entre os dois componentes. Mas, já iremos.
O ROG Flow Z13
Quanto ao design, as diferenças entre a versão de 2023 e a de 2025 são poucas. O ecrã tem as mesmas dimensões, 13,4 polegadas, a mesma resolução 2560 x 1600, sendo que a única diferença está na taxa de actualização máxima, que passa dos 165 para 185 Hz na versão de 2025.
No que toca a entradas, a versão de 2025 inclui uma HDMI 2.1 (que não existia na versão anterior), A Flow mais recente também tem mais entradas USB que a versão anterior e a Asus deixou cair a entrada ROG XG Mobile Interface, que servia para ligar acessórios como uma gráfica externa. As medidas externas são exactamente as mesmas.
Na parte superior do ecrã continuam as saídas ar do sistema de arrefecimento que puxa o ar a partir da parte de trás do tablet. Na parte de trás está também a janela que permite ver para dentro do dispositivo e que inclui um sistema de iluminação RGB programável. Aqui também encontra uma porta que pode ser usada pelo utilizador para actualizar o sistema de armazenamento se necessitar de mais espaço.
A ROG Flow Z13 é uma máquina bem construída, mas acho que é volumosa demais. Mas, no entanto, não há milagres. Há que manter o Ryzen à temperatura de funcionamento correcta e isso requer um sistema de arrefecimento à altura, logo de grandes dimensões no contexto de um tablet.
A Asus inclui um teclado que é um tudo semelhante ao da versão de 2023, com a excepção de agora ter uma tecla Copilot, visto a Flow cumprir (e até ultrapassar) todos os requisitos necessários impostos pela Microsoft para ser considerado um Copilot+ PC.
Confesso que não sou fã deste tipo de teclados dos tablets (independentemente da marca) que são fixos ao dispositivo através de ímanes, porque como ficam na diagonal do ecrã quando o dispositivo está em cima de uma mesa e são muito finos, fica espaço por baixo, o que cria uma ressonância quando se escreve, principalmente quando se escreve mais depressa. Em alternativa, pode fazer com que o teclado fique todo apoiado na mesa, eliminando assim o barulho, mas isto faz com que ocupe mais espaço.
Por falar em espaço, a fonte de alimentação é um aspecto que a Asus podia melhorar, não porque funcione mal, mas porque é grande, pesada e é daquelas que não se liga directamente à corrente, necessitando de andar com mais um cabo.
O AMD Ryzen AI Max+ 395 e o interior da do Flow
O AMD Ryzen AI Max+ 395 é um processador para dispositivos móveis com 16 núcleos, lançado em Janeiro de 2025. Faz parte da linha Ryzen AI Max, que usa a arquitectura Zen 5 (Strix Halo). Ao contrário do que fez a Intel na última geração de CPU, a AMD manteve o AMD Simultaneous Multithreading (SMT) que faz com que o número de núcleos suba para 32 (16 núcleos físicos e 16 threads). O Ryzen AI Max+ 395 tem 64 MB de cache L3 e funciona a uma velocidade padrão de 3 GHz, mas pode subir até aos até aos 5,1 GHz, dependendo da carga de trabalho.
Com um TDP base de 45 W, o Ryzen AI Max+ 395 consome níveis de energia típicos para um PC moderno. No entanto, o TDP do chip pode chegar aos 120 W consoante a configuração. No caso do Flow, o máximo é de 86 W para evitar que o chip faça reduza a velocidade (throttling) quando a temperatura possa exceder a capacidade do sistema de arrefecimento.
O processador suporta memória LPDDR5X com uma interface de quatro canais. A velocidade de memória mais alta suportada oficialmente é de 8000 MT/s, exactamente a velocidade da memória que a Asus decidiu instalar no Flow Z13. Para comunicar com outros componentes do sistema, o Ryzen AI Max+ 395 usa ligações PCI-Express Gen 4.
Este processador tem uma solução gráfica Radeon 8060S integrada que partilha a memória RAM com o CPU, o que é uma desvantagem em relação às soluções que têm memória dedicada. No entanto, a quantidade de memória usada pelo chip gráfico é dinâmica e pode ser controlada directamente, o que quer dizer que o utilizador pode alocar mais ou menos memória para os gráficos consoante as necessidades. No caso da Flow Z13, a memória gráfica pode ir até um máximo de 24 GB.
Este processador inclui ainda com uma Unidade de Processamento Neural (NPU) que vem com uma classificação de desempenho de até 50 TOPS, o que o coloca dentro dos requisitos necessários para ser usado em Copilot+ PC. Se juntarmos o poder de cálculo de todos os componentes do chip a capacidade chega aos 126 TOPS.
Para além do novo chip AMD, a Flow de 2025 ainda inclui os tais 32 GB de memória RAM DDR5 e um SSD M.2 PCIe 4.0 com 1 TB de capacidade. Se necessitar de mais espaço, pode fazer upgrade ao SSD, usar um cartão de memória microSD ou ligar uma drive USB externa.
Os testes
Para testar o Flow Z13 usámos o software do costume: PCMark para as tarefas de produtividade e medição da autonomia da bateria, o 3DMark para testes gráficos sintéticos (incluindo testes de ray trace directo e com upscaling) e os jogos Far Cry 6, Shadow of the Tomb Raider e Cyberpunk 2077.
Como não poderia deixar de ser, o teste em que o Flow se portou menos bem foi no da bateria em obteve pouco mais de 3 horas e meia de autonomia. Lembro que este teste simula uma utilização média do computador com videoconferência, navegação web, visualização de vídeos e aplicações de escritório (processador de texto e folha de cálculo), o que é um cenário muito mais real do que os testes feitos apenas através da visualização de vídeos.
Nos testes gráficos sintéticos (Time Spy e Fire Strike) nota-se que este GPU podia dar um pouco mais, mas, mesmo assim, a nova Flow ficou bastante à frente do modelo que testámos em 2023.
Nos testes sintéticos de ray trace a Flow de 2025 conseguiu 19 FPS médios em ray trace directo e 59 nos testes com sistema de upscaling FSR da AMD ligado.
Nos jogos, o único título em que o Flow não esteve muito bem foi em Cyberpunk 2077 (1440p, ray trace médio, FSR) em que só conseguiu chegar aos 33 FPS de média.
Como este tablet acabou de ser lançado, suspeito que os drivers do CPU e gráfica ainda não estão aperfeiçoados o suficiente para se obterem resultados melhores. Acredito que se testar o ROG Flow daqui a uns meses, os valores serão completamente diferentes.
PCMark 10 | 9507 |
PCMark 10 Bateria (minutos) | 435 |
3DMark Fire Strike | 23758 |
3DMark Time Spy | 10378 |
3D Mark Ray Trace Feature Test (FPS) | 19,8 |
3Dmark FSR Feature Test (FPS) | 59,6 |
Far Cry 6 FPS (1080p, Ultra) | 79 |
Shadow of the Tomb Raider FPS (1080p, Highest DX12) | 100 |
Cyberpunk 2077 FPS (1440p, ray trace médio, FSR) | 33 |
Todos os testes de desempenho (menos o da autonomia) foram realizados sem mexer nas definições de partilha da memória e em modo de desempenho, com o dispositivo ligado à corrente.
Dados técnicos
CPU | AMD Ryzen AI Max+ 395 AMD XDNA NPU até 50 TOPS |
Memória RAM | 32 GB LPDDR5X-8000 |
GPU | Radeon 8060S integrado |
VRAM | Até 24 Gb (versão de 32 GB RAM) |
Ecrã | 13.4” 16:10 WQXGA 180Hz |
Armazenamento | SSD M.2 NVME PCIe 4.0 1 TB |
Ligações | 2 USB Type-C (com USB4 + DP 2.1+ PD 3.0), HDMI 2.1, USB 3.2 Type-A, leitor de cartões microSD (UHS II), entrada jack para áudio de 3,5 mm |
Dimensões | 300 x 204 x 12,9 mm |
Peso | 1,2 kg |
Câmaras | Traseira com 13 MP, câmara frontal de infravermelhos com 5 MP |
Distribuidor: Asus
Preço: €2499