Portugal está hoje em excelente posição para se tornar um interveniente de relevo no que diz respeito à instalação de data centers. Um estudo partilhado no final de 2021 pela Savills informa que nos próximos anos iremos assistir a um forte desenvolvimento deste segmento a nível europeu, sendo de esperar que Portugal ocupa uma posição importante.
A Savills prevê que até 2026, o mercado mundial de data centers alcance um valor de cerca de 216 milhões de euros. O crescimento anual previsto é de 4.5%. O grande motor deste aumento é o previsível aumento de popularidade da “Internet of Things”, mas outros fatores também produzirão um impacto assinalável, como a popularização de tecnologias de realidade aumentada e a disponibilidade de redes de 5º geração, o chamado 5G.
Durante a pandemia assistiu-se a um grande aumento do tráfego online, com algumas zonas a chegarem a aumentos na ordem dos 90%. A agência de SEO & Marketing Digital AWISEE, que acompanha a tráfego de um número considerável de websites em Portugal, corrobora estes números, indicando que diversos sites de clientes seus registaram um aumento superior a 80% no período de tempo referido.
Assim, fica evidente que os data centers precisarão de ter dimensão suficiente para dar resposta a todas as necessidades presentes e futuras. Esta tendência crescente tem levado ao surgimento de cada vez mais investidores interessados em entrar neste mercado.
As particularidades de Portugal
Atualmente, o segmento de data centers em Portugal é composto praticamente só por espaços de pequena dimensão. Isto acontece, por que a maioria das empresas que possui este tipo de infraestrutura opta por mantê-los dentro dos seus próprios edifícios? Esta é uma decisão motivada por dois aspetos principais: a segurança e a facilidade de acesso.
Contudo, conforme vai sendo necessário armazenar mais dados, em muitos casos, torna-se impossível continuar a optar por esta solução, sendo necessário olhar para opções externas com maior capacidade.
Até recentemente, a maioria dos data centers existentes em Portugal estavam centrados na região de Lisboa e pertenciam a grandes empresas como a Equinix, NFSI ou a PT Empresas. Contudo, esta realidade está a mudar e estão a surgir novos espaços um pouco por todo o país, desde Sines até ao Carregado, passando também por Leixões e Viana do Castelo.
Devido à sua localização geográfica estratégica, que permite unir a Europa, América do Sul e África, Portugal conta com condições únicas para se tornar um hub europeu de data centers.
O mega centro de dados em Sines
Como já referido, um dos próximos centros de dados a surgir em Portugal será localizado em Sines e destaca-se pela sua dimensão. Em abril de 2022, a Start Campus iniciou a construção do seu mega centro de dados, o qual irá criar entre 70 a 100 novos empregos diretos e até 400 empregos indiretos.
Este projeto é designado por SINES 4.0 e irá tornar-se num dos maiores data centers europeus. Albergará um total de 9 edifícios, um com 15 MW e mais 8 com 60 MW cada. O somatório será uma capacidade total de 495 MW. De realçar que este centro será completamente alimentado por energia verde.
A primeira fase do projeto inclui a construção do edifício mais pequeno, o qual servirá como modelo para os seguintes e envolve um investimento superior a 130 milhões de euros. O investimento total estimado neste projeto é de cerca de 3.5 mil milhões de euros.
O mega centro de dados da Start Campus ficará localizado nos terrenos adjacentes à Central Termoelétrica de Sines, que foi recentemente encerrada. Desta forma, aquele espaço será reaproveitado e resultará na criação de novos empregos.